“Over the sea and far away
She's waiting like an iceberg
Waiting to change
But she's cold inside
She wants to be like the water”
Ela quer mudar, mas não sabe como. Tudo o que ela faz parece errado, exagerado, infantil. No fundo ela sabe que não é sempre assim, mas por alguma razão ela perde a referência de tudo o que é sensato quando se depara com o sentimento que mais tem lhe acompanhado nos últimos tempos. Que injustiça é não poder fazer o que quer e quando quer; não poder expressar da forma como queria certas coisas. Mas ela sente. O coração dela está cheio de dúvidas e inseguranças, mas de uma coisa ela tem certeza, e é exatamente isso que faz com que ela continue escrevendo coisas que ninguém vai ler. Só ela vai ler. E de certa forma já é o bastante, porque é como se fosse a evolução de alguém que luta contra si mesma para mudar, e todos sabem que mudanças não são tão simples assim. Elas exigem tempo e disposição.
Ela precisa mudar, e ela repete isso a cada cinco minutos, porque não consegue pensar em outra coisa. Durante a noite em que disse que não ia chorar, ela chorou pensando no que fez de errado. E durante a noite acordou de um sonho em que fazia o mesmo. “Sonho”. Pela manhã tudo parece mais fácil e claro, como a luz do sol. Quando a noite chega, a luz se vai e as coisas ficam mais e mais complicadas. O pior de tudo é saber que para que isso chegue a um fim, ela não precisa de muita coisa, mas ela tem que aceitar que as pessoas não são como ela – ainda bem – e que não pode cobrar do outro o que ele não sente.
Ela quer mudar, e já tem em mente o que fazer, só não sabe como e nem se vai dar certo. O importante mesmo é tentar, e isso ela já está fazendo.