Estou tão cansada hoje... Já caminhei muito, inclusive debaixo de sol forte e chuva fria. Já enfrentei medos, inseguranças, ciúmes e preconceitos. Já ri bastante, mas também já chorei muito. Já tive falta de ar só de pensar em perder um amigo de alguma forma. Já sonhei com quem eu gosto, e já tive pesadelos que me fizeram acordar soluçando e com lágrimas nos olhos. Já li cartas sinceras de amizade, assim como percebi num sorriso certa falsidade escondida. Não liguei, e segui em frente. Já conversei, já calei – às vezes o silêncio fala mais que qualquer palavra. Já cantei, já pulei, já fiquei tonta, já pensei em desistir, já pensei em continuar, já pensei que não ia dar certo, já tive esperanças, já fui encorajada, já fui desencorajada, já fiquei com raiva, já fiquei triste, já fiquei eufórica, já fiquei feliz. Já quis sair por aí andando sem rumo, já quis cantar debaixo da chuva forte e no meio da rua, já quis dizer pra algum amigo que ele é muito importante na minha vida. Já quis poder conversar com alguém sobre algo que consideram complicado - sexo, drogas, orgulho -, mas sem cobranças ou piadas. Já quis muito e desesperadamente o beijo do meu namorado. Já quis ouvir a voz da minha mãe, já quis ouvir do meu pai que ele se orgulha de mim. Liguei e ouvi a voz da minha mãe. Recebi uma mensagem do meu pai dizendo que ele se orgulha de mim. Fiquei feliz com isso. Já quis ouvir os conselhos de alguém leigo em algum assunto, simplesmente porque quanto mais algumas pessoas sabem sobre algo, mais difícil fica entender o que querem dizer. Já acordei com vontade de escrever, e não consegui terminar nem uma linha sequer. Já quis saber desenhar. Já desenhei e ri do resultado. Já comprei uma camisa dos Beatles. Já me senti feia, assim como já usei uma roupa que eu gosto e me senti bem. Já usei maquiagem em casa. Já saí de casa sem maquiagem. Já usei maquiagem pra esconder as marcas de choro da noite anterior. Já usei maquiagem pra ficar – tentar ficar – bonita. Já escolhi a primeira roupa que vi na minha frente. Já troquei de roupa mil vezes antes de sair. Já fui eu mesma, já tentei fugir de mim. Já senti frio quando todos sentiam calor. Já quis ficar sozinha, já quis companhia. Já guardei uma foto no meu caderno pra olhar assim que a saudade apertasse. Já ouvi uma música e chorei sem perceber. Choro de alegria, de tristeza ou de solidão. Já me senti esquecida. Já me senti especial. Já tive amigos que se esqueceram do meu aniversário. Já tive amigos que me fizeram surpresas nesse dia. Senti-me querida por isso.
Com tudo isso, só posso perceber que já senti coisas demais pra que alguém ache que eu não sinto nada. Eu sinto, sim. Estou sentindo agora. Ainda vou sentir amanhã quando eu acordar. E assim vou sentir outras milhares de coisas, e vou perceber que ainda não quero parar de sentir.
Oi!!
ResponderExcluirPrimeira vez que passo aqui em seu blog, e digo que esse poema toca fundo a alma! adorei!
Parabéns pelo blog!!
beijo
(www.daianavlopes.blogspot.com)
Yana ^ é minha amiga *-*
ResponderExcluirTô até agora sem palavras pra esse poema, incrivel como você escreveu ele tão sicnero, tão vivo e "tão nua" como disse a Narla. Sinceramente, é até dificil dizer algo depois de ler ele, alcançamos essas respostas, vivendo o que vamos continuar sentindo amanhã. E espeor que sua vida, seja recheada dessas coisas, sempre. Você é um grande alguém ♥